Guia de Arborização e Manejo

Autores: Guilherme Magnusson, Juliano Rufini, Reverton José Paula

Arborização Urbana

A arborização urbana é caracterizada principalmente pelo plantio de árvores de porte em praças, parques, nas calçadas de vias públicas e nas alamedas, hoje em dia uma das mais relevantes atividades da gestão urbana. Todo o complexo arbóreo de uma cidade, quer seja plantado ou natural, compõe em termos globais a sua área verde.

Do ponto de vista ambiental, podemos concluir que as árvores existentes ao longo das vias públicas não podem ser excluídas do complexo de áreas verdes da cidade, pois apesar de estarem dispostas de forma linear ou paralela, constituem-se muitas vezes em uma “massa verde contínua”, propiciando praticamente os mesmos efeitos das áreas consideradas como verdes das praças e parques.

Este tipo de arborização tem a finalidade de propiciar um equilíbrio ambiental entre as áreas construídas e o ambiente natural alterado. Para nós toda a vegetação existente na cidade deve ser considerada como área verde, inclusive as árvores de porte que estão nos quintais, ou seja em áreas particulares. Em suma, toda vegetação ou árvore isolada, quer seja ela pública ou particular, ou de qualquer forma de disposição que exista na cidade, constitui a “massa verde urbana”, por consequência a sua área verde.

Razões para plantar uma árvore:

  • 1.Reduzir o efeito do aquecimento global.
  • 2.As árvores evitam ou reduzem a erosão do solo e a contaminação da água.
  • 3.Contribuem às correntes subterrâneas e a manutenção dos rios.
  • 4.Reduzem significativamente a poluição acústica nos cruzamentos e vias de grande movimento.
  • 5.Suavizam os perfis dos edifícios
  • 6.Segundo sua situação, espécie, tamanho e estado, a sombra das árvores pode reduzir os gastos com ar condicionado entre 15% e 20%. As árvores são um meio de refrigeração natural.
  • 7.A sombra das árvores refresca as ruas e os estacionamentos.
  • 8.As árvores que servem de refúgio para a fauna permitem que alguns animais sofram perdas muito menores durante os meses frios do inverno e proporcionam sombra para se proteger do calor do verão.
  • 9.As árvores dão beleza e harmonia a qualquer comunidade. Fazem a vida mais agradável, tranquila, relaxada e supõem um rico legado para as futuras gerações.
  • 10.As árvores que crescem junto a rios e lagos baixam a temperatura da água com sua sombra, evitam ou reduzem a erosão e a formação de lodaçais e melhoram o habitat dos peixes.

A escolha da espécie correta

A escolha da espécie correta e as informações corretas sobre o manejo permite que qualquer cidadão plante uma árvore. Nossa recomendação é escolher entre as seguintes espécies:


Escova de Garrafa (Callistemon Viminalis) - Pequeno porte


Melaleuca (Melaleuca Leucadendron) - Grande porte


Grevilha Anã (Grevillea banksii) - Pequeno porte


Resedá (Lagerstroemia indica) - Pequeno porte 


Aroeira Pimenteira / Aroeira Vermelha (Schinus terebinthifolia) - Médio porte 


Sangra D'Água (Croton urucurana) - Grande porte


Aroeira Salva (Shinus mole -- Chorão) - Médio porte


Pata de Vaca (Bauhinia ungulata) - Pequeno porte


Oiti (Licania tomentosa) - Médio porte 


Ipê Branco (Tabebuia roseoalba) - Médio porte 


Quaresmeira (Tibouchina granulosa) - Médio porte


Cássia Imperial (Cassia fistula) - Médio porte 


Canelinha (Nectandra megapotamica) - Grande porte 


Ipê Amarelo (Handroanthus vellosoi) - Grande porte 


Canafístula (Cassia ferruginea) - Grande porte


Ipê Roxo (Handroanthus impetiginosus) - Médio porte 


Melaleuca de Folha Fina (Melaleuca linariifolia) - Médio porte 


Sibipiruna (Caesalpinia pluviosa) - Grande porte


Alfeneiro (Ligustrum lucidum) - Médio porte 

Histórico da Arborização de Indaiatuba

Inicialmente denominada Votura, Indaiatuba era ponto de passagem de tropas constituídas no século XVIII. Em nove de dezembro de 1830, tornou-se, por decreto do Imperador, sede de uma das Freguesias da Vila de Itu, ganhando autonomia política em relação a Itu e recebendo a denominação de Freguesia de Indaiatuba. Na época contava com uma população de 2.026 habitantes, dos quais 142 moravam no centro da cidade.

Devido a sua localização geográfica o Município era composto por vegetação predominante da mata atlântica , onde ocorre a presença de árvores de médio e grande porte, formando uma floresta fechada e densa, as árvores de grande porte formam um microclima na mata, gerando sombra e umidade e fauna rica com presença de diversas espécies de mamíferos, anfíbios, aves, insetos, peixes e reptéis.

Com a crescente industrialização, as áreas verdes próximas a cidade foram se tornando locais de construção para a indústria, ampliando cada vez mais o perímetro urbano e, por consequência, comprimindo a vegetação nativa.

Devido a sua complexidade ela, ela vem sofrendo diversas alterações, como o desaparecimento das áreas livres, em decorrência do desenvolvimento e crescimento das cidades.

Assim, tornou-se fundamental um planejamento urbano adequado e tecnicamente bem executado, que resulte em conservação paisagística, convivência harmoniosa dos habitantes com os componentes urbanos e melhoria da qualidade de vida.

Click Árvore

Com o projeto Click Árvore o cidadão de Indaiatuba poderá fazer o cadastro pela internet, onde escolherá a espécie de árvore desejada e funcionários da Secretaria de Urbanismo e do Meio Ambiente farão o plantio, gratuitamente, no prazo de 20 dias.

As árvores disponíveis são destinadas ao Plano de Arborização Urbana, que consiste no plantio de árvores nas calçadas de residências.

Para plantio em áreas rurais a Prefeitura possui o Programa de Recuperação de Nascentes e de Áreas de Preservação Permanente (APP) por meio do qual o interessado pode solicitar à Secretaria de Urbanismo e do Meio Ambiente o apoio técnico e a doação das mudas e insumos.

A escolha do Local, o Plantio e o Manejo

Sempre que possível, consulte a Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente que poderá orientá-lo quanto aos locais adequados, os cuidados para o plantio e manutenção e a necessidade de consultar outros órgãos sobre a existência de rede de água, esgoto, eletricidade e outras instalações.

  • 1.Para o plantio de árvores em calçadas sob a rede elétrica devem-se utilizar árvores de pequeno porte (de 4 a 5 m de altura na fase adulta e com raio de copa em torno de 3m) que também são ideais para calçadas estreitas com até 2,5m e ausência de recuo predial. Nesse caso, deve-se utilizar um canteiro ou faixa permeável de 2m²;
  • 2.Para árvores de copa de diâmetro em torno de 8m (copas grandes) o canteiro ou faixa permeável deve ter 3m²;
  • 3.Não é recomendado o plantio de árvores em calçadas muito estreitas (menor que 1,50m);
  • 4.Segundo a NBR 9050/94 o espaço mínimo para o trânsito de pedestres na calçada deve ser de 1,20m;
  • 5.Se a calçada for mais larga, maior que 2,50m, houver recuo predial e não houver fiação elétrica, podem ser utilizadas árvores de médio porte;
  • 6.Árvores de grande porte são mais adequadas para parques, rotatórias, praças e outros locais com mais espaço. No entanto, em calçadas com largura superior a 3m e sem fiação elétrica elas também podem ser utilizadas;
  • 7.As árvores não devem interferir na iluminação pública, na visualização de placas e sinalização de trânsito;
  • 8.Algumas medidas devem ser respeitadas no plantio de árvores em vias públicas:
Distância mínima em relação à Características Máximas da Espécie
Pequeno porte Médio porte Grande porte
Esquina (referenciada ao ponto de encontro dos alinhamentos dos lotes da quadra em que se situa) 5,0m 5,0m 5,0m
Iluminação pública (1) (1) (1) e (2)
Postes 3,0m 4,0m 5,0m e (2)
Placas de identificação e sinalização (3) (3) (3)
Equipamentos de segurança (hidrantes) 1,0m 2,0m 3,0m
Instalações subterrâneas (gás,água,energia, etc.) 1,0m 1,0m 1,0m
Ramais de ligações subterrâneas 1,0m 3,0m 3,0m
Mobiliário urbano (bancas, cabines, guaritas, telefones) 2,0m 2,0m 3,0m
Galerias 1,0m 1,0m 1,0m
Caixas de inspeção (boca-de-lobo, boca-de-leão, poço-de-visita, bueiros, etc.) 2,0m 2,0m 3,0m
Fachadas de edificação 2,40m 2,40m 3,0m
Guia rebaixada, gárgula, borda de faixa de pedestre 1,0m 2,0m 1,5R (5)
Transformadores 5,0m 8,0m 12,0m
Espécies arbóreas 5,0m (4) 8,0m (4) 12,0m (4)

A NBR 16246-1 de 11/2013 – Florestas urbanas – Manejo de árvores, arbustos e outras plantas lenhosas – Parte 1: Poda estabelece os procedimentos para a poda de árvores, arbustos e outras plantas lenhosas em áreas urbanas, em conformidade com a legislação aplicável. Os procedimentos previstos nesta parte 1 não se aplicam a podas em frutíferas, para as quais podem ser utilizadas as técnicas de poda empregadas na fruticultura. Os objetivos da poda, bem como a destinação de seus resíduos, devem ser estabelecidos antes do início de qualquer operação de poda.

A fim de se alcançar os objetivos da poda, convém: considerar o ciclo de crescimento, a estrutura individual das espécies e o tipo de poda a ser executada; que não se retire mais que 25 % da copa, já que o percentual e a distribuição da folhagem a ser removida devem ser definidos de acordo com a espécie arbórea, idade, estado sanitário e localização, pois podas de maior intensidade devem ser justificadas tecnicamente; que não se retire mais que 25 % da folhagem de um galho, quando este é cortado junto a outro galho lateral, sendo conveniente que o galho lateral tenha dimensões suficientes para assumir a dominância apical.

O destopo e a poda tipo poodle devem ser considerados práticas de poda inaceitáveis para árvores, exceto nos casos em que tal prática for necessária para posterior supressão. O arborista deve realizar uma inspeção visual, para avaliar todos os aspectos físicos e fitossanitários de cada árvore-alvo do trabalho e realizar o planejamento prévio das atividades. O arborista em treinamento também pode realizar este tipo de inspeção, desde que esteja sob supervisão direta de um arborista profissional.

Caso se constate a existência de alguma condição ou fator que requeira atenção além do escopo original do trabalho, é conveniente que esta condição ou fator seja reportado a um supervisor imediato, ao proprietário da árvore ou à pessoa responsável por autorizar a realização do trabalho. Devem ser utilizados equipamentos e práticas de trabalho que não danifiquem o tecido vivo e a casca além das especificações de trabalho. Ferramentas de impacto não podem ser usadas no corte final.

As ferramentas usadas para fazer os cortes de poda devem estar sempre afiadas e em perfeitas condições de uso.Esporas de escalada não podem ser usadas para poda de árvores, exceto quando: os galhos estiverem separados à distância maior que a linhada de arremesso e não houver alternativa de escalada da árvore; ou a casca for de espessura suficiente para prevenir danos ao câmbio.

A limpeza consiste em poda seletiva para remover galhos mortos, doentes ou quebrados. A localização e a variação de tamanho dos galhos a serem removidos devem ser especificadas. A desrama ou raleamento consiste em poda seletiva para reduzir a densidade de galhos vivos. Convém que a desrama ou raleamento resulte em distribuição equilibrada de ramos em galhos individuais, não comprometendo a estrutura da árvore.

Não é recomendado que se retire mais que 25 % do volume da copa que cresceu após a última poda. A localização e a variação de tamanho dos galhos, bem como o percentual de folhagem a serem removidos devem ser especificados. A elevação da copa consiste em poda seletiva para fornecer espaços verticais. Convém que a necessidade de espaço vertical, a localização e a variação de tamanho dos galhos a serem removidos sejam especificadas.

A redução consiste em poda seletiva para reduzir a altura e/ou a largura da copa e, por consequência, a área e o volume da copa, sempre obedecendo à arquitetura típica da espécie, buscando uma distribuição equilibrada de ramos. O galho deve ser podado junto a outro que tenha no mínimo 1/3 do seu diâmetro. Deve-se considerar a tolerância da espécie a esse tipo de poda.

Convém que sejam especificadas a localização e a variação de tamanho dos galhos a serem podados, bem como o espaço (desobstrução) a ser obtido com a poda. É recomendada a realização de poda de palmeiras quando fronde, inflorescências, frutos e pecíolos puderem criar uma condição de risco.

Não podem ser removidas frondes vivas e saudáveis que se iniciem em ângulo maior ou igual a 45° com o plano horizontal na base das frontes, exceto no caso de frondes em conflito com redes aéreas de serviços. Recomenda-se a retirada de folhas junto à base do pecíolo sem causar danos aos tecidos vivos do estipe. Recomenda-se que a descamação da palmeira (barba) seja feita pela remoção apenas das bases de frondes mortas no ponto onde elas entram em contato com o estipe, sem causar danos aos tecidos vivos.

Legislação Municipal

Indaiatuba aprovou no ano de 2015 seu Plano de Arborização Urbana, considerando uma solicitação da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente, através do Decreto nº 12.454. Esse instrumento planeja e disciplina a execução da política de plantio, manejo, preservação e expansão da arborização urbana no Município.

Referências: